A Transposição do Rio São Francisco Hoje

O projeto de transposição do Rio São Francisco é assunto frequente na imprensa, nas escolas, nas Ong’s e em outros locais de debate ambientais. Mas, antes de falarmos sobre a questão da transposição do Rio São Francisco, vale saber um pouco sobre esse verdadeiro gigante.

O rio São Francisco se trata de um dos mais importes cursos de água não só do Brasil, mas como de toda a América Latina. O rio São Francisco passa por cinco estados brasileiros e por mais de 520 municípios. Pelos habitantes dessas regiões, recebeu o apelido carinhoso de Velho Chico.

A nascente do São Francisco está localizada geograficamente na cidade de Medeiros, enquanto sua nascente histórica é considerada a Serra da Canastra, que fica no município de São Roque de Minas – região centro-oeste do estado de Minas Gerais.

O percurso do rio passa pelo estado da Bahia, onde faz uma divisa com o estado de Pernambuco. Além disso, faz uma outra divisa natural entre os estados de Alagoas e Sergipe.

Por fim, o Velho Chico desemboca nas águas do Oceano Atlântico. O São Francisco é responsável pela drenagem de mais de 640 mil quilômetros de solo. O comprimento do rio é medido através da sua nascente histórica e conta, assim, com 2 814 quilômetros de extensão. Porém, se for considerada a nascente geográfica, o São Francisco é ainda maior, chegando a 2 863 quilômetros.

Como foi citado, existe um projeto para a transposição do Rio São Francisco. Esse é um assunto extremamente polêmico, já que envolve uma tentativa de resolver um grande problema que há tempos afeta as populações que habitam as regiões semiáridas do país: a seca.

Por outro lado, a transposição do Rio São Francisco é um projeto ousado e delicado do ponto de vista ambiental. Isso porque a transposição do Rio São Francisco afetaria a sua extensão e a sua importância na questão da conservação da sua biodiversidade, além da sua utilidade para o transporte e abastecimento.

O projeto de transposição do Rio São Francisco foi sugerido sob a argumentação de resolver a deficiência hídrica das regiões do semiárido brasileiro, por meio da transferência de parte das águas do rio para rios menores e açudes do Nordeste, reduzindo, assim, a seca nos períodos de estiagem.

Um dos primeiros projetos de transposição do Rio São Francisco surgiu no ano de 1985, mas fora cancelado pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS). Já no ano de 1999, a questão da transposição do Rio São Francisco foi passada o Ministério da Integração Nacional, com o acompanhamento de diversos ministérios. Desde essa transferência, criou-se, então, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

O projeto atual de transferência do Rio São Francisco propõe a remoção de 26,4m³/s de água (o que equivale a 1,4% da vazão da barragem do município de Sobradinho) para o destino da população urbana de 390 cidades do estado do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Tal transferência de águas seria feita por meio das bacias de Brígida Pajeú, Terra Nova, Moxotó, Bacia do Agreste, Jaguaribe, Bacias do Ceará, Piranhas-Açu, Apodi e Bacias dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

Já o Eixo Norte do projeto levaria a água para as regiões de sertão dos estados da Paraíba, Pernanbuco, Rio Grande do Norte e Ceará. A expansão teria aproximadamente 400 km de extensão e faria a alimentação de pagua de mais quatro rios menores e três bacias pequenas do próprio Rio São Francisco, além de dois açudes.

O Eixo Leste abasteceria uma parte do sertão da região agreste do estado da Paraíba e de Pernambuco, utilizando-se de cerca de 220 km do São Francisco até o Rio Paraíba. Isso aconteceria depois das águas do Rio São Francisco atravessar as bacias de Moxotó, Pajeú e de parte da região do agreste do estado de Pernambuco.

Os dois eixos, pelo projeto atual de transposição do Rio São Francisco, seriam construídos com uma capacidade para a vazão de 99m³/s e 28m³/s –  respectivamente. Os eixos também trabalhariam sob uma outra vazão, porém, contínua, de 16,4m³/s no eixo do norte e 10m³/s no eixo do leste.

No entanto, essa proposta de transposição do Rio São Francisco, por muitos nada mais é que do uma espécie “transamazônica hídrica”. Esse projeto de transposição do Rio São Francisco seria extremamente oneroso e não supriria, mesmo com todas as obras, as necessidades das populações relacionadas no projeto atual.

Além disso, as comitivas contra o projeto de transposição do Rio São Francisco alegam que o problema da população não está na falta de água, mas, sim, na administração mal planejada dos recursos naturais. Isso porque a maior parte de água é usada para irrigar grandes plantações e usadas em obras privadas. Água essa que poderia suprir o problema de falta de água nas épocas de estiagem das regiões inclusas no projeto atual de transposição do Rio São Francisco.

A região nordeste, para termos uma melhor ideia, é a parte que mais açudes possui não só no Brasil, mas no mundo todo. São cerca de 70 mil açudes, em que podem ser armazenados 37 bilhões de m³ de água. Assim, o problema da seca na região nordeste teria solução concluindo-se cerca de 20 obras que serviriam de distribuição de água.

Porém, as tais 20 obras encontram-se paradas nas cidades que estão previstas no atual projeto de transposição do Rio São Francisco. Essa seria uma solução muito mais viável e barata para o problema da estiagem nos municípios próximos do São Francisco. Além disso, as águas do rio não seriam transpostas, mantendo-se preservada a biodiversidade existente no rio São Francisco.

(Foto: Divulgação/Google/Imagens – Imagens livre de direitos autorais)

Transição do Rio São Francisco Pontos Positivos e Negativos

 

Concluindo: viu só como realmente a questão da Transposição do Rio São Francisco é polêmica? Sem partidarismos, existem, sim, pontos positivos e negativos no projeto atual.  

Um dos pontos positivos da transposição do Rio São Francisco seria que, a longo prazo, provavelmente aconteceria um aumento na geração de renda e emprego das regiões contempladas pelo projeto. Isso porque as regiões, hoje, atingidas pela seca seriam abastecidas, tornando-se produtivas e atraindo habitantes de mais de 400 localidades do país.

Com isso, melhoria ainda as condições de educação, transporte, trabalho e saúde das pessoas que hoje habitam tais regiões, representando um aumento considerável de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

Já o ponto negativo é o que projeto de transposição do Rio São Francisco é uma ação ousada em, principalmente, onerosa para os cofres públicos. O projeto resolve o problema da seca nos pontos indicados de forma mais fácil, porém, algumas fontes estimam que ele custaria mais de 4,5 bilhões de reais.

Além disso, a transposição chegaria a atingir cerca de 5% do território e aproximadamente apenas 0,5% da população nordestina. Ainda existem as questões ambientais, que prejudicariam, com a transposição do Rio São Francisco, a flora e a fauna local, assim como um desmatamento calculado em mais de 400 hectares de área.

Existem muitas divergências entre as partes a favor e contra a transposição do Rio São Francisco. Mas, certamente, a população brasileira deseja que, independente da ação tomada, o planejamento adotado resolva de uma vez a questão das populações afetadas pelas secas, sem deixar de lado a preservação do meio ambiente e do Velho Chico.

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